Google Analytics 4.0: entenda as principais mudanças - Aldeia Conteúdo

Novo Analytics 4.0: entenda as principais mudanças da plataforma do Google

17/12/2020

A principal ferramenta de Web Analytics do mundo teve sua mais profunda mudança anunciada no início de novembro, e a maioria dos usuários ainda não se atentou para o básico que deve saber a respeito.

Desde os “contadores de acessos” que eram usados nos primeiros sites e que lembravam marcadores de quilometragem de carros, as perguntas que as marcas começaram a se fazer sobre suas presenças online foram muito além de “quantas pessoas visitaram meu site?”.

Hoje, a ferramenta que mais tem ajudado ao Marketing responder perguntas sobre as operações online tem sido o Google Analytics.

Ela domina o mercado de plataformas de Web Analytics, sobretudo por já entregar muita funcionalidade já na versão gratuita.

Uma boa ferramenta de Web Analytics + uma cultura de dados nos livra do achismo quando o que está em pauta são as entregas de ambientes receptivos (site, e-commerce, blogs, etc.), já que traz dados que podem ser consumidos ‘in natura’ ou serem combinados com dados de outras plataformas, trazendo indicadores riquíssimos e importantíssimos para as tomadas de decisão. Principalmente para investimentos em mídia.

Mas, recentemente, muitos foram surpreendidos com a notícia de que o bom e velho Google Analytics, companheiro de jornada, mudaria drasticamente. Trata-se do Google Analytics 4.0.

Quem é hard-user do Google Analytics e navega de forma tranquila pelas interfaces de relatórios e de configuração não deve ter ficado totalmente confortável com a mudança.

É que elas foram bem bruscas.

Talvez a única parcela de usuários que tenha ficado motivada foi aquela que já há algum tempo utilizava o irmão e parceiro do Analytics: o Google Firebase – utilizado para monitoramento de Apps.

Aliás, o Novo Google Analytics está com uma cara super parecida com a do seu irmão. Tanto é que ele permite importar dados do Firebase. Essa similaridade não é só inspiracional: é que o Analytics 4.0 veio muito influenciado pela necessidade de integrar dados de aplicativos mobile.

Que tal entender melhor então? Foram preparados alguns tópicos essenciais para você começar a encarar bem essa mudança.

Por que o Google Analytics mudou?

Basicamente pela necessidade de integrar dados de ambientes receptivos que rodam no navegador (sites, landing-pages, lojas, etc.) com App e, também, para as marcas começarem a entrar numa realidades ‘cookieless’, com mais e mais políticas e mecanismos de defesa de proteção de dados pessoais.

Já devo trocar o Analytics clássico (UA) por uma propriedade do Analytics 4.0?

Ainda não precisa.

A verdade é que a nova versão ainda parece estar em BETA ganhando novas funcionalidades. A versão anterior continuará funcionando, MAS, quando se for criar uma conta ou propriedade nova, é necessário ir em opções avançadas.

A primeira opção que o Google dará é para a nova versão 4.0.

É recomendável criar uma propriedade na nova versão e ir trabalhando com as duas. Até o momento da virada – que mais cedo ou mais tarde chegará -, as formas de implementar em sites não diferem muito do GA anterior.

Pode-se fazer direto via inserção manual ou Tag Manager. Para WordPress, começaram a nascer plugins, mas pode-se fazer pelo Insert Headers and Footers, que permite inserções diretas entre as tags <head></head> do tema.

Já as plataformas de e-commerce e algumas de Inbound e CRM ainda devem estar em pleno desespero de adequação para compatibilizar ambas as versões do Analytics.

Seja comedido e carinhoso ao abrir um chamado que possa ir para o time de desenvolvimento. Eles devem estar bem estressados!

As Vistas de propriedades foram removidas!

A organização das contas era: Conta > Propriedade > Vista.

Agora é Conta > Propriedade.

Para aquelas empresas que precisam fazer um relatório omitindo ou protegendo certos dados, e que usavam vistas para isso, acabará sendo obrigada a usar uma plataforma de relatórios com filtros, como o Google Data Studio.

Ou Mapa de Eventos ou nada!

O GA clássico possui três tipos de hits (comportamentos que levam dados para os banco de dados do Analytics): 

1) Pageview

2) Eventos

3) Transações de comércio eletrônico

No GA 4.0, isso acabou! TUDO É EVENTO!

Isso está obrigando as plataformas de comércio eletrônico a refazerem TODO seu setup de Analytics. Para passar informações adicionais, os eventos precisarão de parâmetros agregados.

Isso acaba com a necessidade de marcar aquela opção na vista ‘Ativar modo de comércio eletrônico avançado’ (até porque, nem vistas teremos mais, né, meu bem?).

Um setup de qualquer ambiente para se adicionar eventos do Analytics não será mais um ‘item opcional’.

Aliás, fica a dica: quem não quer entender de programação para adicionar eventos no código, precisará entender de Google Tag Manager. Ou ficará refém dos ‘Bozis’ da vida (desenvolvedores WEB).

Limites de coleta das contas gratuitas

Se o limite da conta clássica era de 10 milhões de hits por propriedade (anteriormente eu listei o que é hit), o GA 4.0 possui limite de EVENTOS que ele registrará.

Serão 500 eventos por propriedade. Imagine que o site tem 250 páginas e 250 botões com eventos do GA: isso já bateria no teto.

“Mas, e sites que tem blog?” Sem problemas! O mesmo evento trará informações de todos os posts. E

Exemplo: Categoria do evento: blog / Ação: pageview / Rótulo: Título do Post.

Aposentadoria da métrica ‘Taxa de Rejeição’

Incompreendida e julgada, ela deixa de existir na nova versão do Analytics. Agora surgem outras métricas correlatas:

– Sessões engajadas: se o usuário ficou mais de 10 segundos na visita/sessão. Ou seja: ele passa a entender a rejeição de forma diferente.

– Sessões engajadas por usuário: das vezes que o usuário acessou, quantas vezes engajou?

– Tempo médio de engajamento: tempo que o app esteve em primeiro plano (costumamos deixar um app aberto e abrir outro)

– Taxa de engajamento: sessões que engajaram/todas as sessões (divide e multiplica por 100 para ter %)

Como o Google mesclará dados do usuário no APP e no site?

User ID (identificação do usuário logado no sistema particular). Ou: login social. Muitos blogs e sites fazem isso, dizendo ao usuário que ele está recebendo conteúdos parciais do ambiente, mas que ele pode navegar de forma plena se logar via conta Google. Isto já pode ser previsto nos seus novos projetos de sites.

Com essas mudanças, o Google prova que quer continuar a ser um aliado das marcas quando a missão é se livrar do achismo.

Se você aposta na cultura data-driven e acha que ela veio de fato para ficar, não largue da mão do Google.

E vale reforçar a dica: traga para o seu dia-a-dia dois importantes aliados para o Analytics 4.0: o Google Data Studio e o Google Tag Manager.

Sem eles, a sua vida no uso do G.A. será muito difícil, tanto para propiciar a chegada do dado, como para organizá-lo de forma visual e gerar informação útil. Para não dizer, impossível.

Leia também: LGPD: o que é e como afeta o marketing digital


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Por:
Marcelo Bozi